O absurdo da existência
Que luta mais enlouquecedora essa da emoção versus razão. Sentimento e lógica, dois pirralhos que se arregaçavam de tanta porrada na infância que os pais decidiram mandar um para cada canto. Hoje em dia, a esquerda sopra, a direita escuta com atenção, criando e compondo com belas palavras, olhares significativos. Legal, somos artistas, de fato! Mas coloque-se na situação dos pais... vez ou outra envolvo-me num pensamento que me sufoca, não abandono símbolos que nem sequer uso hoje em dia. Esses símbolos que eu usava antes para entender a treta de Adão e Eva. As brigas...putz, foram há muito tempo. Adão - que veio da terra, fedorento e sem alma – certo dia estava pronto para receber a capacidade do progresso! Eva - que veio da luz, sublime e cheia de esperança – acreditou naquele rapaz. Corpo e espírito amaram-se e respeitaram-se pela primeira vez neste planeta bizzarinho cheio de provas e expiações. O tantra é demais, mesmo. O preço a pagar: livre-arbítrio (e o Sartre me dá medo até hoje). Estou no meio dos dois, lá em ultra-lótus-invertida-sobre-a-cabeça-bold-itálico, meditando, tentando entender os porquês, em detrimento das coisas mais reais e urgentes. Resultado? Às vezes a coisa toda pára de fluir, aquela naturalidade de sorrir, de falar. Até o olhar muda. Algo se perde entre uma técnica e outra, entre um questionamento e outro. Sinto-me tão absorto em relação às minhas tentativas de crescer para além daquilo que já conheço, que chego a perder o mais bonito da vida. Eu esqueço de escutar. Simplesmente não inclino o meu ouvido para escutar aquelas duas crianças que já cresceram e, hoje em dia, gostariam muito de estar lado a lado, conspirando a meu favor! O que nos impede, confusas criaturas, de abraçar esse peladinho casal? Mas a vida tem se mostrado para mim ultimamente. Ela me conduz a um lugar onde tudo é muito mais importante do que sempre achei: cada gesto, cada sorriso, abraço, pensamento, cada sim e cada não. O meu coração está contente, o meu espírito respeita todas as intenções, todas as dificuldades, desfaz-se do tempo. Fecho os olhos e sinto o absurdo da existência, o milagre que é cada vida e, assim entendo, a alegria que é trocar uma experiência verdadeira com alguém. A notícia boa é que agora entendo o que significa “chama” e não pretendo esquecer. A notícia ruim é que eu não sei explicá-la, portanto o texto ficou muito injusto e confuso mesmo.


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